O setor de infraestrutura e mercado imobiliário brasileiro está sentindo o peso de um novo aumento de custos neste meio de ano. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), responsável por balizar as variações de preços em toda a cadeia produtiva, registrou uma aceleração significativa e fechou o mês de junho com alta de 1,19%. O salto é notável quando comparado ao índice de maio, que havia sido de 0,55%.
Os dados foram consolidados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), confirmando as suspeitas de empresários da área de que a pressão sobre os orçamentos das obras está aumentando, levando o índice acumulado dos últimos doze meses a atingir 5,64%.
A explosão da folha de pagamento
Diferente de outros momentos de crise, a vilã da vez não é a matéria-prima. O grande responsável pelo encarecimento vertiginoso do setor foi o custo de contratação e manutenção de equipes. Enquanto a categoria que engloba materiais, equipamentos e serviços apresentou um avanço discreto (passando de 0,37% em maio para 0,39% em junho), os gastos com mão de obra registraram um salto alarmante.
O componente de labor passou de uma variação de 0,77% no mês anterior para expressivos 2,33% em junho, triplicando de velocidade e espremendo as margens de lucro das construtoras em todo o território nacional.
Desempenho pulverizado nas capitais
A pesquisa da FGV Ibre também mapeou o comportamento dos custos de obra nas principais capitais do Brasil, revelando que a pressão inflacionária atingiu as regiões de maneira muito desigual. Acompanhe os principais destaques:
- Rio de Janeiro e São Paulo: O eixo mais forte da economia sentiu o baque. O RJ pulou de 0,44% para 1,93%, enquanto SP saltou de 0,62% para 1,32%.
- Belo Horizonte e Brasília: A capital mineira viu sua taxa triplicar (de 0,32% para 0,93%), e a capital federal também apresentou leve aceleração (de 0,57% para 0,69%).
- Recife: O mercado pernambucano acompanhou a tendência de alta e dobrou sua variação (de 0,42% para 0,81%).
- Contramão do aumento: Apenas duas praças apresentaram desaceleração: Salvador caiu de 1,29% para 0,43%, e Porto Alegre arrefeceu de 0,95% para 0,11%.
Com essa guinada nos preços, as incorporadoras e empreiteiras terão que rever seus planos de financiamento e vendas para os próximos meses, tentando equilibrar o impacto do custo de mão de obra para que ele não paralise o ritmo de novos lançamentos na economia.